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Resenhando ‘Ninguém Como Você’ por Lauren Strasnick

11 maio

 

Para começar, quero que você olhe a capa de ‘Ninguém como você’ e tente tirar uma conclusão sobre ‘do que se trata o livro’. Quando eu fiz isso, imaginei uma estória de amor, bem bobinha, mas agradável.

Agora veja a sinopse:

A vida de Holly está muito complicada – Faz seis meses que sua mãe morreu, e seu pai ainda anda pela casa com um ar muito perdido. Ela acaba de perder a virgindade com Paul, um cara que é um gato, mas que tem uma namorada firme, que faz parte da turma mais popular da escola. Seu melhor amigo Nils deu de pular de galho em galho, correndo atrás de toda garota que passa em sua frente. Quando as coisas começam a ficar mais sérias, Holly terá de escolher – mudar de vida radicalmente, ou guardar um segredo que pesa cada vez mais em sua vida? 

Depois que eu li a sinopse- isso foi após eu comprar E receber o livro em casa xD-  eu sinceramente desanimei do livro, eu já sabia que o tema ‘sexo’ era abordado, mas não imaginava a parte toda do clichê ( mãe morta, pai triste, menina perdida na vida, ect, ect, ect). O que me deu forças para encarar a leitura foi a última frase da sinopse: ‘[…]mudar de vida radicalmente, ou guardar um segredo que pesa cada vez mais em sua vida?’. Eu simplesmente achei que a menina ia se reinventar e virar o jogo e que o livro ia ser super legal, mas conforme eu fui lendo… PÉÉÉÉÉÉÉÉÉ. Uma campainha de ‘ERRADO’ tocou na minha orelha.

‘Ninguém Como Você’ foi um dos piores livros que eu já li. A estória ficou bem clichê, não dando espaço para novidades. Porque as escritoras não mudam esse enredo de ‘minha mãe morreu e eu vivo infeliz e perdida pelo mundo junto com meu pai e sem amigos’? Existe tanta coisa que pode ser inventada com a vida dos jovens e ainda assim elas insistem nas mesmas coisas, porque não pelo menos falar de uma menina que perdeu a mãe, vive infeliz e sem amigos, mas FAZ ALGO REALMENTE BOM E DIFERENTE PARA PASSAR POR CIMA DA DOR? Pode ser qualquer coisa, desde que seja diferente. Enfim.

Um outro tema que poderia ter sido abordado de maneira muito inteligente e ‘educativa’, foi tratado com certo desdém e falta de cuidado. Quem fala de sexo para adolescentes, sem falar de medo, insegurança, riscos ou qualquer outra coisa que possa ser útil? Eu sei que nós já estamos cansados de ouvir sobre os dilemas do sexo na adolescência, mas tratar a primeira vez – e todas as outras vezes- da garota como uma coisa insignificante na estória foi um erro total, porque, pelo o que entendi, o sexo era exatamente o ponto do enredo, e as partes que falavam sobre ele eram as PIORES.

As personagens também estavam bem cruas. Holly é bem sem graça e boba, e varias vezes eu tive vontade de tacar o livro na parede por culpa dela, por vários motivos, como:

1-     Ela fica com o Paul. Sabe que é errado. Continua ficando. Se sente mal, uma vaga$¨&¨, tem peso na consciência, mas continua com ele. É como diz aquele velho ditado, ‘ Errar é humano, insistir no erro é burrice’.

2-     A menina fica o livro inteiro apalpando os seios para ver se não tem nenhum caroço, é como se ela fosse estar andando e do nada o caroço fosse surgir ali. Para piorar a situação, ela acha que vai ‘PEGAR O CÂNCER DA MÃE SE USAR AS ROUPAS QUE ERAM DELA’, genteeee, mais um assunto sério desperdiçado com idiotice!

O Paul é o típico menino ‘cachorro’, que enrola as meninas para ir para a cama com elas. Mas nem para isso ele servia direito, e para piorar, ele estava sempre fumando, sempre. Era só ele chegar perto da Holly, ou entrar em cena, que ele acendia um cigarro e ficava lá, tragando e soltando veneno na cara dos outros.

Eu realmente gostei de Saskia e de Nills. Os dois são personagens fofos, que eu gostaria de ter conhecido mais profundamente. O professor de teatro também era um fofo, e o pai da Holly também me agradou muito. A pena é que nenhum personagem foi explorado suficientemente, e nós acabamos perdendo a chance de conhecer pessoas maravilhosas do mundo literário.

O livro realmente não me agradou nem um pouco, uma coisa que nunca tinha acontecido comigo. Eu fiquei que dois assuntos muito interessantes e úteis para os jovens tenham totalmente desperdiçados e trabalhados de maneira tão ruim. A estória poderia ter ficado muito boa, caso a autora realmente tivesse se empenhado em ir além dos clichês e enredos superficiais que já lotam as estantes das livraria, ela perdeu a chance de fazer algo realmente agradável e de grande importância para meninas lerem. Ficou tudo bem fraquinho, sem emoção, sem sal nem açúcar. 

A editora ID, por outro lado, está de parabéns. O livro está muito lindo, com a capa em amarelo flueorecente por dentro e uma capa muito lindinha, que me cativou de primeira. A tradução e edição estão ótimas e muuuito satisfatórias! Vale reconhecer que eles fizeram um ótimo trabalho e que quem escreveu a estória não foi nenhum dos funcionários da editora. A leitura é extremamente rápida, pois o livro é bem pequeno e tem letras grandes com espaços duplicados entre as linhas.

Mas é claro que, mesmo depois de ter falado mal de um livro como nunca fiz na minha vida, eu sugiro que, se você leu resenhas positivas sobre o livro e está me achando uma tosca por conta de tudo o que eu falei aqui, você deve sim compra-lo e lê-lo. Essa é a única maneira de tirar suas conclusões e poder vir me xingar depois #hahaha

Vale lembrar que aqui no blog, eu não sou obrigada a falar bem de nenhum livro, então, eu dou minha mais sincera opinião sobre tudo o que eu leio. Se você não concorda com as minhas opiniões, tem a total liberdade para expressar sua opinião aqui nos comentários, desde que seja com educação e delicadeza.